quarta-feira, 22 de abril de 2009

E o que nos resta, apenas nos falta.

Quem me dera, no tempo dos vivos, dizer a ti, meu amor, o quanto o amo.
Quisera eu, tantas vezes, sussurrar em teus ouvidos, o que há tanto eu gritara! Embebida na minha inocência, não percebi que o desejo desfilava em minhas falas, fazia caminho com o meu desejo. Estava eu, fantasiando uma fala, uma história.
O conhecimento tentado, inoportuno, extasiante, desbravador, prazeroso marca a angustia do desconhecido irreparável da inocência; caminho de sabedoria sem letras, sem memória, possível e existente do incógnito esquecimento: o batom vermelho mancha o lençol!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

"Dissimulada Austeridade"

Talvez eu devesse ser proba, e me expor. Sei que esperas de mim verdades, sinceridades... Se eu disser o que sinto, o que se passa em minha mente... talvez eu enlouqueça, e nada consigas com isso. Se se faz necessário tanta certeza sobre a continuidade de um risco na água, é melhor fechares teus olhos e te esqueceres de viver. Não me temas, não se aflige: ‘ o desejo nunca pede permissão prá cutucar’; apenas se arrisque por eles, ou desista.


Em meu mais profundo amor, na minha mais inerme emoção apunhalaste-me com tuas carícias e teus olhares à procura de alguém que não fosse eu. Querias ver-me fraquejar, e dissuadir-me do contrato firmado entre eu e minhas vontades. Não sou fraca, nem um pária: apenas em busca do meu melhor estado de mim mesma, da sobrevivência sem ordens para as emoções. O faço, meu amor, um capricho aos meus caprichos.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Ó! Ledo engano

Tanto faz a distância que estamos daquilo que não conquistaremos, afinal, todos já nascemos rendidos; não nos deixam ter com o acaso, já que nos estimulam, apenas, àquilo que nos dê ‘frutos’ a consumir por consumo.

Nos tornamos caçadores de qualquer caça. Tudo o que não podemos tocar, ou tudo o que não nos toca fisicamente... não há que dar valor. Entretanto, vender ‘alma’ e ‘essência’ nada têm de mais. Ora, afinal, se não tocamos, não sentimos arder na pele não existe. A crença –em qualquer que seja o objeto– por fé, simplesmente, é o pior dos defeitos. Então, não se arrisque, aterrorize-se ante as tantas outras existências inermes. Pois quem cedo se acovarda, cedo será aceito no ceio de nosso mais singular paradoxo: sociedade. Não temas, pecado é vender corpo e sexo; se vendes quem tu és... é para que desfrute do que não é necessário, mas fizeram imprescindível na vida: um ruído silencioso; o brado de um mudo.