domingo, 4 de abril de 2010

Ergam seus copos...

Desculpa, mas eu não tenho grana p’ra montar um loock, meu ‘eu’. Nunca tive tempo para limpar a poeira dos livros da minha biblioteca particular, como você. Toquei fogo neles todos.

Não nasci pra ser sóbria, nem pra me manter limpa. Sou o vício consumido pelo vício. A dor que arde no instante supremo de algum prazer qualquer.
Sou a mulher perfeita “longe daqui, pra longe de mim”. Não sou estática, mas guarde a foto. Talvez seja tudo, tudo o que conseguiu tirar de mim.

E minta. Minta tanto quanto puder. Grite que me ama... Berre que o ódio faz o gosto da tua boca: ah! O ódio, o ócio, o rancor. Deixe seus pés te entregarem.
Mande flores. Buquês de rosas... vermelhas. Vá! infle toda a minha raiva. Peça pra me ver nua. Veja o branco dos meus traços, o negro do meu sangue.

A porra-louca? Pois bem, que seja. Sou... ou não.

Cansada? Sim. Traga-me mais, muito mais. Meu amor, meu vício, meu ódio... Eu. Simplesmente eu.

Dê-me com o que alimentar meus monstros. Veja, veja meu animal. Meus reflexos mais sinceros. Os olhos entregam, sempre. Prefiro a boca, calada, aberta... fechando. Prefiro as tuas mãos, teu cérebro. Teu coração? Este eu como, devoro... se me der.

Adoro as tuas pernas, tuas calças... você sem elas, também. Se eu as quero? Não precisa. Vá! divirta-se. Não precisa fechar a porta, estou de saída. Se eu volto hoje? Talvez sim; talvez nunca mais. Quem se importa?

O vício saciado. A fome aplacada. Sou só calmaria, monotonia. A paz entregue. O carrasco domado.

2 comentários:

  1. Por que é, minha amiga, que a gente não consegue permanecer? Por que é, meu amor, que fica escuro e sem graça quando tudo parece confortável; quando a vida parece aquilo que todo mundo quer? Por que é, minha alma, que sempre ultrapassamos os limites de todos? Por que causamos este aspecto de fúria e medo se tudo o que queremos parece óbvio pra nós que seja necessário a qualquer pessoa que respire e queira ter a honra de dizer: "estou vivo"? Não compreendo. Simplesmente, não entendo a ordem das coisas...

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